segunda-feira, 9 de maio de 2016

Coisas Poéticas: [Ah... vida...]

A vida tem um estranho costume
de me chamar de volta a mim mesmo.
Ela chega de mansinho,
me dá um cheirinho daqui,
um sonho dali,
me coloca em movimento.

De repente, surpreendido,
percebo que estou,
como uma máquina
que não possui botão de desligar
e tampouco freios para desacelerar.

Ando em busca de externalidades,
que frustram da alegria, a veracidade.
No meu caminho,
não consigo me deter.
Às vezes, sem me dar conta
estou andando sem ver,
sonhando sem dormir,
respirando sem inspirar.

Mas aí ela chega de mansinho,
de novo, sim...
Porque ela sempre faz parecer
que tudo está perfeito,
e de repente, surpreendido,
de novo, sim...
me sinto inundado por lágrimas,
por uma violência suave,
mas que deixa seus rastros,
aturdido com barulhos e ruídos
que não são nada mais
do que eu mesmo precisando de mim.

Ah, vida!!! Como sois bela!
Pena que tantas vezes me esqueço,
e de novo eu me entristeço,
porque no fim ou no começo,
sonho, vivo e fujo do meu lado avesso.

És profunda e tão luminosa,
és amor que depende de mim para ser amada,
és carregada de cores e cheia de sabores,
mas que dependem de mim,
do meu silêncio,
do meu espaço,
do meu amar-me,
para poder ser sentida,
experimentada,
e novamente,
tão amada.

Junior Takanage

09.V.2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Coisas Literárias: [O Nome de Deus é Misericórdia]


Já há algum tempo que venho ensaiando para sentar-me frente ao computador e escrever um pouco sobre este livro. Trata-se um pouco das minhas impressões para com o mesmo e, por que não, uma indicação.

Em primeiro lugar tratou-se de um livro que me fez chorar, e acredite, mesmo que eu seja muito chorão eu não choro quando leio livros, mas este livro me fez chorar; claro que não foi o livro todo, mas temas e momentos específicos me identificaram, não pela minha pessoalidade, mas especialmente pela manifestação da misericórdia, de perceber que não sou eu que sou chamado a algo, mas que Deus, assim como o fez com Mateus, “me olha com misericórdia” (cf. Mt. 9, 9-13), apesar das minhas limitações e fragilidades. No entanto, me tocou também em algo que mesmo que tantas vezes é parte do meu discurso, muitas vezes está distante do meu viver: a minha misericórdia para com o outro. Se sou olhado com esta misericórdia, como não olhar para o outro, como não ter o mesmo sentimento para com ele, como não amá-lo apesar de tudo?

Trata-se de uma entrevista, e não de um texto corrido, e a verdade? Dá pra ler muito rápido... é uma conversa gostosa, onde a autora, Andrea Tornielli, recupera inclusive expressões gestuais e linguísticas do Santo Padre, que tem claramente um bom acento argentino (sim, eu gosto da Argentina e dos argentinos e não é só por causa do Papa).


Não quero que essa afirmação soe como uma apreciação despectiva do livro, mas é um livro que não traz uma novidade, ou melhor, não deveria trazer uma novidade para aqueles que se dizem cristãos, católicos ou simplesmente praticantes do Amor (caritas), pois fala de uma atuação diária e que deveria ser intrínseca ao viver de cada um de nós. No entanto, a NOVIDADE do livro é justamente chamar a nossa atenção para isso... Mesmo sendo tão do cotidiano, tão comum, e talvez por causa disso, muitas vezes nos faz não colocar atenção.

Portanto, vale a pena, vale a leitura, vale uma reflexão, vale deixar-nos tocar por essas palavras tão belas e profundas, vale deixar-nos interpelar para um anúncio que não é somente dos católicos, mas de todos aqueles que querem construir um reino de Justiça, Paz, Fraternidade e Igualdade.



Junior Takanage 
22.II.2016  

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Papa Francisco [Homilia de Abertura do Ano Extraordinário da Misericórdia]

Concisa e certeira, as palavras do Santo Padre chegam ao nosso coração e nos inspiram a viver profundamente o Ano Santo da Misericórdia. "Maria, Mãe da Misericórdia, volvei a nós estes vossos olhos misericordiosos." 

"Daqui a pouco, terei a alegria de abrir a Porta Santa da Misericórdia. Este gesto, como fiz em Bangui, simples mas altamente simbólico, realizamo-lo à luz da Palavra de Deus escutada que põe em evidência a primazia da graça. Na verdade, o tema que mais vezes aflora nestas Leituras remete para aquela frase que o anjo Gabriel dirigiu a uma jovem mulher, surpresa e turbada, indicando o mistério que a iria envolver: «Salve, ó cheia de graça» (Lc 1, 28).

Antes de mais nada, a Virgem Maria é convidada a alegrar-Se com aquilo que o Senhor realizou n’Ela. A graça de Deus envolveu-A, tornando-A digna de ser mãe de Cristo. Quando Gabriel entra na sua casa, até o mistério mais profundo, que ultrapassa toda e qualquer capacidade da razão, se torna para Ela motivo de alegria, motivo de fé, motivo de abandono à palavra que Lhe é revelada. A plenitude da graça é capaz de transformar o coração, permitindo-lhe realizar um acto tão grande que muda a história da humanidade.

A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva. O início da história do pecado no Jardim do Éden encontra solução no projecto de um amor que salva. As palavras do Génesis levam-nos à experiência diária que descobrimos na nossa existência pessoal. Há sempre a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projectar a nossa vida independentemente da vontade de Deus. Esta é a inimizade que ameaça continuamente a vida dos homens, tentando contrapô-los ao desígnio de Deus. E todavia a própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa. O pecado só se entende sob esta luz. Se tudo permanecesse ligado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. Mas não! A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai. Sobre isto, não deixa qualquer dúvida a palavra de Deus que ouvimos. Diante de nós, temos a Virgem Imaculada como testemunha privilegiada desta promessa e do seu cumprimento.

Também este Ano Extraordinário é dom de graça. Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, é Ele que nos vem ao encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia. Que grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma, em primeiro lugar, que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor, diversamente, que são perdoados pela sua misericórdia (cf. Santo Agostinho, De praedestinatione sanctorum 12, 24)! E assim é verdadeiramente. Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Por isso, oxalá o cruzamento da Porta Santa nos faça sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma.

Hoje, aqui em Roma e em todas as dioceses do mundo, ao cruzar a Porta Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo. Esta efeméride não pode lembrar apenas a riqueza dos documentos emanados, que permitem verificar até aos nossos dias o grande progresso que se realizou na fé. Mas o Concílio foi também, e primariamente, um encontro; um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo. Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário. Era a retomada de um percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive: na sua cidade, na sua casa, no local de trabalho... em qualquer lugar onde houver uma pessoa, a Igreja é chamada a ir lá ter com ela, para lhe levar a alegria do Evangelho e levar a Misericórdia e o perdão de Deus. Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adoptar a misericórdia do bom samaritano."

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20151208_giubileo-omelia-apertura.html

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dica de Leitura: [Relatos de um Peregrino Russo]



Escrito por um russo, anônimo, a Obra Relatos de um Peregrino Russo trata de um simples camponês que ao escutar, no ofício litúrgico, a recomendação do apóstolo Paulo à comunidade dos Tessalonicenses: “Rezai sem cessar” (I Ts 5,17) se interessa por conhecer a chamada Oração do Coração ou oração de Jesus.

Numa busca incansável parte em peregrinação e encontra muitas pessoas que o ajudam a entrar em si mesmo e encontrar sua paz e sua harmonia, a oração se torna essencial e o peregrino já não consegue viver sem ela, fazendo também com que todos que se aproximem queiram apaixonar-se por este modelo de oração.

Passa-se na Rússia, o que faz com que os relatos girem em torno a uma realidade católica ortodoxa e não romana. No entanto, a leitura deste livro vale a pena apesar de religião, crença ou filosofia de vida, levando em consideração o auge das filosofias sobre meditação, nirvana, o encontro consigo mesmo e os inúmeros benefícios para a saúde física e psíquica que esta [a meditação] nos oferece.

Recomendadíssimo. E caso alguém se interesse, abaixo segue o link onde poderão encontrar o livro para adquiri-lo, afinal, livro quando é bom, vale a pena ter o seu.



Junior Takanage
15.VII.2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

[De Rascunho e Nostalgia]


Fiquei dias, meses, sem me sentar e escrever palavras que brotassem do fundo do coração... Escrevi sim, ensaios religiosos, artigos científicos, mas deixei de lado os sonhos escabrosos de um coração que precisava se abrir e se rasgar em palavras pintadas de vermelho sangue e em letras marcadas com a palidez de um sem sentido que nasce ao deixar a arte motora da escrita de lado.

Sem isso, pensei fosse endoidecer...  sonhei mas me esqueci de anotar e nestas faltas, fui me perdendo de mim mesmo, deixando de realizar atos necessários para que eu pudesse respirar, sentir a calma, me lançar no colorido da vida que muito facilmente, se deixamos de admirar, se torna o preto e branco do antigo papel fotográfico que já não encontro nem mais na casa de minha avó.

Claro está, sem você não posso viver, meus sonhos se esvaem e minha mão já não desenha o mesmo colorido caminho dos sonhos poetizados pela beleza das palavras que aleatoriamente brotam de meus lábios, de meu coração e da ponta de um lápis afiado por um pobre apontador.

No fim, percebo que sem o mais pobre apontador e o rascunho que encontro jogado debaixo da cama não sou nada. Palavras, ah como eu as necessito e

as quero por perto. Sonhos, vocês só são possíveis porque eu consigo verbalizá-los no papel. Vida, só consigo torná-la bela se me sento a escrever.

Porque neste escrever eu me encontro com pessoas, sentimentos, mágoas, perdões, medos e magia, felicidade sem fim, que brota do puro descobrimento de algo que não é meu, mas que emana divinamente entre meus dedos e meu pensar: o eterno dom de escrever e amar.

Junior Takanage

13.VII.2015
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